Escolha uma Página

Jovens de Santa Rosa dos Pretos usam arte para combater racismo institucional

O racismo que atravessa os corpos, matas, igarapés e terras dos quilombolas de Santa Rosa dos Pretos chegou – ou sempre esteve – na escola da comunidade. Em meados de 2019, a prefeitura de Itapecuru-Mirim apagou dos muros e paredes da Unidade de Ensino Básico Quilombola Elvira Pires as cores preta, vermelha, verde e amarela que caracterizavam o edifício. Essas são as cores representativas das nações africanas. No lugar delas, foram sumariamente colocados o branco e o cinza.

Diante do racismo institucional, jovens do coletivo Agentes Agroflorestais Quilombolas (AAQ), que protagonizam a campanha internacional “Água para os povos!”, criaram o projeto de uma semana artístico-pedagógica para retomar as cores e histórias de África e dos povos originários nas paredes e muros do colégio.

Enfrentaram, mais uma vez, o racismo virulento e a intolerância religiosa. Foram violentamente atacados por meio de calúnias e incitação ao ódio por dois servidores da prefeitura, que tentaram impedir a realização das atividades.

A sabedoria e a arte venceram. A escola ganhou de volta sua história ancestral, e os jovens quilombolas saíram fortalecidos em sua luta contra o racismo.

O registro é da artista visual Kerolayne Kemblin